Rubem Valentim e a geometria do sagrado
MAM Bahia, Solar do Unhão
















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A retrospectiva no Solar do Unhão reúne quarenta e duas obras e resolve, de uma vez, um mal-entendido persistente: Rubem Valentim não era um artista concreto que citava o candomblé. Era um artista do candomblé que encontrou na geometria a sua sintaxe.
Os emblemas — o oxê de Xangô, o ferramenta de Ogum — não são ornamento aplicado sobre a abstracção. São a estrutura. Retire-os e não sobra composição nenhuma.
A montagem
A curadoria acerta ao dar espaço às telas dos anos sessenta e ao resistir à cronologia estrita. O que se perde é o contexto baiano do início: falta o diálogo com a geração do Museu de Arte Moderna sob Lina Bo Bardi, que teria dado espessura à sala de entrada.
Vá ao fim da tarde. A luz que entra pelas janelas do solar sobre a baía faz às obras o que nenhuma iluminação museológica consegue.
